domingo, 10 de março de 2013

As Escolas De Mistérios


 

As escolas de mistérios eram instituições onde se educavam as pessoas na ciência da vida, transmitindo-lhes um conhecimento essencial que as preparava para a gigantesca expansão de consciência conhecida no Ocidente como Iniciação, e no Oriente como Iluminação.
Narra a tradição que esse conhecimento provém de períodos anteriores à nossa civilização, havendo lembranças remotas desses processos em todas as regiões do mundo.


Na cidade do México, os invasores astecas encontraram um imenso complexo erigido por um povo desconhecido, onde eram feitas as cerimônias de iniciação na pirâmide do Sol.
Os astecas denominaram este complexo de Tenoctiuakan, que significa “lugar onde os homens se tornam deuses”.
Com o colapso da antiga civilização orientada para a magia, que era detentora desses conhecimentos, seus sacerdotes plantaram em todo o mundo antigo diversos núcleos que deveriam manter esse saber e transmiti-lo à posteridade.
Essa transmissão, entretanto, revestiu-se de um sigilo e de uma reserva absoluta, para evitar os desvios e o mau uso que causou a extinção daquela antiga civilização. Foi exatamente essa reserva, que tinha a intenção de preservar a humanidade do uso indevido e prematuro desse saber, que foi a causa das calúnias e da hostilidade que o saber oculto sempre recebeu por parte do poder dominante e do público em geral.

                              

Na antiga Grécia, esse saber teve quatro grandes expoentes. O primeiro foi Orfeu, praticamente o fundador do helenismo e do ideal grego de busca da perfeição racional, associada à perfeição física e à perfeição artística. No auge do helenismo, o grande nome foi Pitágoras, com sua escola em Crotona, na magna Grécia italiana. No final do helenismo, já no início do período cristão, os dois gigantes foram Plotino e Apolônio de Tiana, sendo que este último foi esquecido por não ter deixado nada escrito.
No antigo Egito, praticamente toda a religião era estabelecida sobre os alicerces das instituições de mistérios. Era no Egito que os gregos iam buscar os fundamentos e a inspiração para os mistérios, ainda que os adaptassem a seu próprio modo de ser e de expressão mais livre, fluente, estética democrática e cosmopolita. Os gregos tinham uma profunda admiração pelo saber egípcio, embora não apreciassem a maneira soturna, formal, ritualizada e supersticiosa em que os egípcios desenvolviam seu culto. 

Quando os exércitos de Alexandre, o Grande chegaram ao Egito em 332 a.C., os macedônios foram saudados pela população como libertadores do Egito do jugo odioso dos persas.
Havia uma afinidade básica entre gregos e egípcios, embora existissem divergências superficiais na forma de culto e de transmissão. Os gregos preferiam que a iniciação fosse menos profunda, mas beneficiasse um maior número de pessoas, com efeitos mais intensos na comunidade, ao passo que os egípcios preferiam uma iniciação absolutamente individualizada. 
Por outro lado, havia forte antagonismo entre os gregos, de um lado, e os persas e hebreus, de outro. Esse antagonismo decorria do fato de que os gregos buscavam a perfeição estética e a perfeição racional, ao contrário de persas e hebreus, que buscavam a perfeição moral.

Na Pérsia, existiam os mistérios de Mitra, do culto de Zaratustra, que posteriormente se propagaram por todo o império romano.
Entre os judeus, os mistérios foram difundidos secretamente nas comunidades rabínicas com o nome de Cabala.
Os druidas celtas tinham seu colégio estabelecido em Alésia, tendo ele sido destruído durante as campanhas de Julio César, em 52 a.C. César sabia que, destruindo o colégio dos druidas, estaria encerrado o ciclo da cultura celta.
Entre os islâmicos, os mistérios foram introduzidos através do sufis e devixes. Entre os cristãos, nas mãos dos gnósticos e rosacruzes.
Na Índia , China e Tibete, essa tradição tornou-se aberta e popular, sendo incorporada à cultura e formando vários extratos dentro das religiões, de acordo com o grau de desenvolvimento almejado. Com exceção da China maoísta, nunca houve nesses países um poder dominante que combatesse a transmissão iniciatória. Por isso, ela sempre fluiu de forma livre e desimpedida entre os povos orientais, sem necessitar se ocultar, tal como ocorreu no Ocidente.

                               

Coube à instituição maçônica manter vivos os ideais dos mistérios no Ocidente, durante esse período de cultura materialista, ainda que a maçonaria tenha perdido a capacidade de transmitir iniciações verdadeiras, passando a transmitir “iniciações simbólicas” como forma de recordar a possibilidade da verdadeira e genuína iniciação, mantendo viva na consciência humana a tradição dos mistérios.
A Teosofia moderna e a Rosa-Cruz também fazem parte desse esforço de conservação e disseminação da sabedoria antiga ao maior número possível de pessoas.
No Tibete, os mistérios eram celebrados nas criptas dos templos do Himalaia, até a invasão chinesa, em 1950. Após a queda do Tibete e do seu sistema de governo lamaísta, os monges se espalharam pelo mundo e passaram a difundir os preceitos da religião tibetana para toda a humanidade.

O mundo não comporta mais as iniciações fechadas e ultra-seletivas. Numa era de integração humana global, o conhecimento deve ser disponibilizado para servir de elemento de transformação da consciência humana. O Caos do mundo moderno demanda uma mudança radical da consciência humana, para garantir a sobrevivência do planeta e da humanidade como espécie.
Por isso, o conhecimento (ou parte dele), outrora fechado nas escolas de mistérios está sendo aberto e disponibilizado para toda a humanidade.

Esse resgate das escolas de mistérios tem a finalidade de oferecer a todos os seres humanos a oportunidade de acesso a um saber de ordem superior, capaz de produzir a iluminação possível a cada um, dentro de seu “momento na eternidade”.

Um comentário:

  1. Achei muito interessante .. mais um ótimo post :)by : @luancrvasco_

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